CENTRO DE ANDROLOGIA E UROLOGIA

Avaliação mínima do homem impotente.

            Houve modificações importantes no diagnóstico e tratamento da disfunção erétil masculina desde a descoberta da ação das drogas vasoativas nos corpos cavernosos,  no início da década de 80 1, e também devido ao melhor entendimento do mecanismo da ereção peniana 2.

            Não existe um único planejamento diagnóstico que possa ser empregado para todos os casos de disfunção erétil, porém há uma metodologia inicial que é, talvez, a mais importante nesta avaliação. A etapa isolada mais relevante neste estudo é a história e o exame físico 3. A história permite-nos situar o problema sexual, bem como fazer as correlações entre fatores orgânicos e emocionais 4. Podemos identificar fatores de risco associado, como hipertensão arterial sistêmica, hiperlipidemia, tabagismo, diabete mellitus, trauma perineal, irradiação ou cirurgia pélvica, ou ainda o uso de drogas. O exame físico é bastante restrito, porém de fundamental importância, uma vez que pode fornecer-nos pistas como a presença de placas penianas, ausência do reflexo bulbo-cavernoso, anomalias gênito-urinárias, características sexuais secundárias alteradas ou mesmo diminuição dos pulsos arteriais periféricos.

            Os testes laboratoriais iniciais incluem uréia, creatinina, glicemia de jejum, colesterol LDL e HDL, e triglicerídios. Estes exames servem para a identificação e quantificação dos fatores de risco. Também a testosterona total, albumina e SHBG e prolactina fazem parte destes testes iniciais. O nível sérico de testosterona é importante pois valores baixos devem ser corrigidos. A prolactina elevada pode não só estar relacionada com a disfunção erétil como também com a libido diminuída. Outros testes hormonais ficam relegados a um segundo plano, sendo indicados em casos específicos.

            O teste de ereção fármaco-induzido (TEFI), que é a administração de drogas no interior dos corpos cavernosos com o intuito de relaxar a musculatura peniana e dos vasos sanguíneos, representa o estado hemodinâmico peniano durante resposta erétil. O teste positivo, definido como uma ereção rígida que permite o coito, significa que não existe doença vascular significativa. Um teste negativo pode não ter muito significado, pois muitos fatores locais e circunstanciais podem ter contribuído para o resultado, como frio, estresse, etc. Quando o TEFI é realizado associado à estimulação visual sexual (vídeo erótico) e auto-manipulação da genitália, e monitorados pelo RigiScanÒ (Dacomed, Minneapolis, Minnesotta), obtêm-se resultados mais objetivos e fidedignos . Podemos perceber que, quando os dados são captados em tempo real, esta metodologia permite uma maior aproximação da realidade sexual do indivíduo. Trata-se de um exame de exceção, utilizado eventualmente em alguns casos.

            Concluindo esta investigação inicial, acreditamos que a avaliação do perfil psicológico é importante, uma vez que 100% dos casos de disfunção erétil masculina apresentam o fator emocional envolvido, pelo menos em parte.

            Então, através destas etapas, podemos tirar algumas conclusões que, já neste momento, permitem a sugestão de alternativas terapêuticas, como é o caso das drogas orais (sildenafil, vardenafil, tadalafil, lodenafil).


Referências Bibliográficas


01- Virag R. Intracavernous injection of papaverine for erectile failure.

            Lancet 1982; 23: 938.

02- Lue TF. Erectile dysfunction and Peyronie’s disease. Postgraduate Course

            P-556. 90th Annual Meeting. American Urological Association. 1995.

03- Lewis RW, King BF. The diagnostic algorithm. In: Bennett AH. Impotence-

            diagnosis and management of erectile dysfunction. 1st ed. W.B. Saunders

            Co. Philadelphia. 1994, pag 42-51.

04- Morales A. Diagnostic testing. In: Goldstein I. How I work-up impotence and

            medical management of impotence and priapism. Postgraduate Course

            P-524. 90th Annual Meeting. American Urological Association. 1995.

05- Da Ros CT, Telöken C. Análise comparativa dos testes de estimulação visual

            sexual e teste de ereção fármaco-induzido monitorizados pelo RigiScan

            Real-time. J Bras Urol 1994; 20(4): 180-2.


Dr. Carlos Teodósio Da Ros

CREMERS 16962