CENTRO DE ANDROLOGIA E UROLOGIA

Fatores de risco para a disfunção erétil.

    Disfunção erétil (DE), que é a incapacidade de obter e/ou manter uma ereção suficientemente rígida para ter uma atividade sexual satisfatória, ocorre em mais da metade da população adulta masculina. E existe uma série de fatores de risco que estão associados à esta disfunção. Níveis elevados de colesterol total e o baixo nível de colesterol de alta densidade (HDL) são importantes fatores de risco para desenvolvimento da disfunção. Assim como a obesidade e o sedentarismo dos homens.     Alterações na hemodinâmica da ereção podem ser observadas em pacientes com infarto do miocárdio, cirurgia de revascularização miocárdica, acidentes vasculares cerebrais, doença vascular periférica e hipertensão arterial. A avaliação cardiológica de pacientes com DE vasculogênica e história familiar de doença cardíaca isquêmica é importante, devido à sua íntima associação. A hipertensão arterial sistêmica leva a algum prejuízo na função eretiva de quase todos os pacientes.

    O tabagismo é fator de risco para desenvolvimento de arteriosclerose nas artérias pudendas e penianas comuns mesmo em pacientes jovens com DE. Fumantes pesados apresentam mais arteriosclerose com alterações hemodinâmicas do que os tabagistas leves. O cigarro tem também um efeito direto de vasoconstrição sobre as pequenas artérias penianas.

    A prostatectomia radical (cirurgia para o câncer de próstata) também é um importante fator de risco para disfunção sexual. Muitos estudos têm demonstrado uma associação entre o aumento dos sintomas urinários e DE em pacientes portadores de hiperplasia benigna da próstata. A radioterapia da próstata e da fossa prostática para câncer de próstata também está associada com DE.

    As alterações no eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal podem estar relacionadas com a disfunção erétil. Aos 70 anos, os níveis de testosterona estão aproximadamente 30% abaixo do limite inferior. Ocorre um declínio de 1,2%/ano da testosterona livre, 1%/ano da testosterona ligada à albumina e 0,4%/ano da testosterona total, e há um aumento de 1,2%/ano da globulina ligadora do hormônio sexual (SHBG).

    Aproximadamente 25% das DE são devidas a medicamentos. Os agentes anti-hipertensivos, como bloqueadores beta-adrenérgicos e os diuréticos causam problemas sexuais, desde diminuição da libido até disfunção erétil, em percentagens que variam de 5 até 80% dos casos. Também os agentes psicotrópicos (antipsicóticos, tranquilizantes maiores e menores e os antidepressivos) causam distúrbios relacionados à libido, função erétil e ejaculação. O uso excessivo de álcool também leva a problemas de ereção devido a sua ação central, numa incidência que varia de 8 a 54%.

    O trauma perineal das artérias hipogástricas-cavernosas pode induzir lesões arteriais focais com importante diminuição da perfusão sanguínea, e desta forma contribuir para o desenvolvimento de DE.

    Hoje, com a identificação destes fatores de risco para o desenvolvimento da DE, percebe-se a importância da mudança do estilo de vida dos indivíduos. Com o afastamento destes fatores, existe a probabilidade da resolução completa da disfunção sem necessidade de outras medidas terapêuticas.


Dr Carlos Teodósio Da Ros

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