CENTRO DE ANDROLOGIA E UROLOGIA

Incontinência urinária na mulher.

                 Incontinência urinária é a perda involuntária de urina. Essa condição acomete  milhões de pessoas em todo o mundo. Torna-se mais freqüente com o envelhecimento e é cerca de três vezes mais comum nas mulheres, em qualquer faixa de idade.

            Reter a urina sem perdas, sentir vontade de urinar e esvaziar a bexiga adequadamente são capacidades muito complexas e dependem do funcionamento normal de várias partes do corpo. Esse controle, geralmente, acontece entre os 3 e 5 anos de vida e devemos estar atentos para possíveis problemas naqueles em que as perdas urinárias persistem a partir dessa idade.

           

O que acontece quando a bexiga enche e esvazia?

            A bexiga é reservatório muscular e elástico que acomoda quantidades cada vez maiores de urina, até um volume máximo que varia entre 350 e 700 ml. Esse enchimento é acompanhado de sensações de desejo suportável de urinar com volumes adequados. Geralmente, o primeiro desejo acontece com cerca de 150 ml de urina e, com cerca de 300 a 350 ml, já existe uma vontade mais forte que, independentemente da intensidade, normalmente pode ser controlada.  A contração da bexiga somente deve acontecer através da vontade. Nesse momento, a uretra e os esfíncteres (estruturas musculares que circundam a uretra comprimindo-a) relaxam, permitindo a eliminação de toda ou quase toda a urina. No final da micção, os esfíncteres voltam a comprimir a uretra e a bexiga relaxa, em ciclos que nos acompanham durante a vida.


O funcionamento da bexiga, uretra e esfíncteres dependem de outros sistemas?

            Esses ciclos de contração e relaxamento são comandados através do sistema nervoso e é especialmente complexo no sistema urinário. Há nervos que funcionam sob comando voluntário e outros que agem automaticamente, sem que possamos perceber. Os nervos agem através de substâncias químicas (neurotransmissores). Vários medicamentos utilizados para o tratamento de diversas doenças podem atuar, direta ou indiretamente, nos mesmos locais onde agem os neurotransmissores. Isso explica porque medicações como antidepressivos, descongestionantes nasais, anti-hipertensivos e outras podem produzir sintomas ou distúrbios urinários.

            Os músculos e ligamentos da pelve formam o que chamamos de “assoalho” pélvico que sustenta o útero e a bexiga, sendo atravessado pela uretra, vagina e o reto. Há ainda outras estruturas que mantêm todos esses órgãos no lugar.

            Problemas da musculatura e ligamentos pélvicos podem alterar a posição desses órgãos, fazendo que a bexiga, uretra e útero percam a sua sustentação (prolapso). No caso da bexiga, essa condição é muito conhecida como bexiga caída. O reto que fica atrás da vagina pode também se projetar em direção à vagina (retocele).


Quais são os outros fatores que contribuem para a incontinência urinária?

            O envelhecimento e o sedentarismo são fatores importantes em ambos os sexos. Nos idosos, há ainda que se considerar o uso de outras medicações e uma série de fatores limitantes. Pessoas que tem dificuldade para caminhar ou apresentam problemas de destreza manual podem sofrer de incontinência, simplesmente porque não conseguem chegar ao banheiro ou despir-se a tempo de urinar.

            Pode-se dizer que ser mulher já é um fator de risco para incontinência urinária. A obesidade e os partos têm sido fortemente apontados. Outros como a menopausa fumo, obstipação, tosse crônica e cirurgias pélvicas parecem ter um papel menos importante.

            Durante a gravidez, a incontinência urinária pode ocorrer em 30 a 60% das pacientes, porém se resolverá espontaneamente na maior parte dos casos.

Nos homens, pode haver relação com algumas doenças como o crescimento da próstata e os estreitamentos (estenoses) da uretra. A incontinência urinária de esforço no homem é naturalmente rara, porém mais recentemente cresceu em decorrência dos tratamentos para o câncer da próstata.

           

             

Como é feita a avaliação?

             Muitas vezes, uma simples entrevista e o exame médico já são suficientes. Entretanto, há situações complexas que requerem a opinião de vários especialistas e um grande número de exames.

            Na mulher, o exame ginecológico já pode revelar se há “bexiga caída” ou se o útero está em posição adequada.

            Pacientes paraplégicos e tetraplégicos quase sempre apresentam problemas urinários ocultos e potencialmente perigosos para a função dos rins. Nessa situação e em outras doenças neurológicas, a avaliação urodinâmica tem um papel fundamental.

            Seja qual for o problema envolvido, a avaliação correta é fundamental para o sucesso do tratamento.