CENTRO DE ANDROLOGIA E UROLOGIA

Tumores renais

            Os tumores de rim podem ser benignos ou malignos afetando um ou ambos os rins.

A grande maioria desses tumores são descobertos por acaso, após a realização de algum tipo de exame de imagem do abdômen, como a ecografia, tomografia ou a ressonância magnética.

Nos casos mais avançados, que são menos comuns, podem ocorrer sintomas como dor lombar ou abdominal, perda de peso, sangue na urina, entre outros. Raramente a primeira manifestação pode ser através de uma metástase.

          Existem dois grandes grupos de lesões renais: císticas e sólidas. As lesões císticas do rim são categorizadas de acordo com a classificação de Bosniak, de 1997, que varia de I a IV.

Os cistos tipo I e II são responsáveis por 70% das lesões renais assintomáticas (indivíduos sem queixas) e tem 0% de chance de serem malignos. Cerca de 50% das pessoas com mais de 50 anos de idade apresentam cisto no rim.

          O cisto tipo IIF tem uma chance de 5% de malignidade, e por isso devem ser acompanhados através de exames realizados a cada seis meses.

          Os cistos tipo III e IV tem grande chance de malignidade. Os cistos tipo III podem ser malignos em até 40 a 60% dos casos. Os cistos de tipo IV podem ser malignos em a 100% de malignidade e na maioria dos casos, devem ser tratados cirurgicamente.

Quando o tratamento cirúrgico é indicado, geralmente não há necessidade de remover o rim completamente.

          As lesões sólidas podem ser benignas ou malignas e apresentam uma maior diversidade diagnóstica. Entre as mais comuns, temos o adenoma, oncocitoma, angiomiolipoma, carcinoma, metástase, abscesso, entre outros. Muitas vezes o diagnóstico não pode ser feito baseado somente com exames de imagem, havendo necessidade de biópsia ou cirurgia.

          Os adenomas renais são tumores benignos geralmente únicos e   pequenos. Representam cerca de 7 a 23% dos tumores e sua incidência aumenta com a idade. Também são mais frequentes em pessoas com a síndrome de Von Hippel Lindau ou insuficiência renal crônica. Existe uma maior frequência nos homens e estão associados com o tabagismo.

O adenoma metanéfrico é uma exceção, visto que costuma ser de tamanho maior, geralmente acima de 5 cm, sendo que a exploração cirúrgica quase sempre é recomendada pela difícil diferenciação com os tumores malignos

          O oncocitoma é outro tumor benigno, representando cerca de 3 a 7% das lesões renais sólidas. Geralmente são multicêntricos e comprometem os dois rins. Os exames de imagem geralmente revelam características semelhantes aos tumores malignos e por isso, quase sempre são tratados cirurgicamente.

          O angiomiolipoma é um tumor benigno, mais frequente no sexo feminino na faixa etária de 50 a 60 anos. Em 20% dos casos estão associados com uma doença genética autossômica dominante chamada esclerose tuberosa. São lesões muito vascularizadas e apresentam risco de sangramento, principalmente quando maiores que 4 cm, ou na gravidez devido às alterações hormonais. Geralmente não necessitam tratamento, exceto quando há risco de hemorragia ou quando não é possível diferenciar de uma lesão maligna, porém nestes casos geralmente há remoção apenas do tumor, conservando o restante do rim.








Figura: A  tomografia mostra um grande angiomiolipoma no polo inferior do rim direito. Lesões grandes apresentam risco de hemorragia mas frequentemente podem ser tratadas preservando o restante do rim não comprometido pelo tumor.







         



              O carcinoma de células renais é o tumor renal maligno mais comum. Representam aproximadamente 3% dos tumores malignos dos adultos na idade entre 60 e 70 anos. A maioria é esporádico, mas em 4% dos casos é familiar. Os fatores de risco são: tabagismo, obesidade, dieta rica em gorduras e proteínas e pobre em frutas e vegetais, exposição a agentes químicos, vida urbana, entre outros. Nas formas familiares, a doença de von Hippel Lindau é a mais comum, onde ocorre em 50% dos casos, sendo geralmente multifocal e bilateral, afetando indivíduos na faixa etária dos 30 aos 50. Em 20% dos casos podem ocorrer o que chamamos de síndrome paraneoplásica, ou seja, sintomas e achados relacionados ao tumor, porém com localizações e sistemas diferentes. As alterações mais comuns são: hipertensão arterial sistêmica, anemia, perda de peso e alterações no fígado. Existem diversas modalidade terapêuticas para o tratamento destes tumores, sendo elas: cirurgia radical (retirada do rim), cirurgia parcial (retirada somente do tumor), técnicas ablativas (crioterapia e radiofrequência) e terapia-alvo com medicações. Quando estes tumores são muito pequenos, também a opção de observação vigilante na tentativa de não realizar tratamento nas lesões sem potencial de crescimento ou de metastatização.


                         

À  esquerda, a  arteriografia revela pequeno tumor com características de malignidade.



         






                                                                               Apesar de malignos, os tumores renais podem ser                                                                                         tradados com cirurgia conservadora, removendo                                                                                          apenas o tumor com margens de segurança.








          As metástases de outros tumores podem ocorrer no rim e são muito frequentes< Cerca de 12% das pessoas que morrem por câncer possuem metástases no rim. A explicação para este achado é que o rim tem um alto fluxo sanguíneo, o que determinaria uma maior chance de implante de células tumorais. Os tumores que mais enviam metástases para o rim são: pulmão, mama, trato gastrointestinal, melanoma e tumores hematológicos (linfoma, leucemia, etc). Geralmente são multifocais e de pequenas dimensões. Na suspeita deste diagnóstico, a biópsia está indicada.

Dr Caio Schmitt

CREMERS 25998