CENTRO DE ANDROLOGIA E UROLOGIA

Avaliação da infertilidade masculina.

           A chance de um casal ter uma gestação é 20 a 25% por mês, 75% em 6 meses, chegando a 90% em 1 ano. Por esta razão, a investigação de infertilidade é realizada após um ano de tentativa de engravidar, sem sucesso, sem uso de qualquer método de anticoncepção. A exceção ocorre nos casais em idade avançada para reprodução, ou seja, mulheres acima de 35 anos e homens acima de 40 anos. A maioria das concepções ocorre entre os 6 dias que antecedem e o próprio dia da ovulação. Após a ovulação, a chance de gravidez é menor.

A infertilidade é um motivo de consulta ao urologista. O homem sempre deve ser investigado nestes casos, independente de uma causa feminina de infertilidade. A prevalência de infertilidade é em torno de 15% dos casais em idade reprodutiva, sendo que a infertilidade masculina representa 50% dos casos (20% como causa isolada e 30% como causa associada à infertilidade feminina). A investigação inicial do homem é simples, custo-efetiva e pouco invasiva. Nela, constam uma boa história médica, exame físico e exames complementares.


         HISTÓRIA

         Necessita-se investigar os hábitos que o homem teve no passado ou ainda tem no presente. O tabagismo, alcoolismo e uso de outras drogas ilícitas estão envolvidas em alterações nos espermatozóides ou em sua produção.

         Histórico de trauma no testículo, com atrofia, também deve ser investigado, assim como processos isquêmicos ou infecciosos. Cirurgias prévias em todo o aparelho reprodutor masculino, que inclui os testículos, epidídimos, ductos deferentes, vesículas seminais, próstata e pênis, também devem ser informadas. As anomalias congênitas, como criptorquidia (testículo que não desceu para bolsa escrotal) e alterações uretrais podem interferir na fertilidade de um homem.

         O tempo de infertilidade também é um ponto importante, pois quanto maior este tempo, provavelmente a causa deve ser mais grave ou de tratamento mais desafiador. A história de gravidez prévia deve ser investigada, pois pode trazer o significado de um melhor prognóstico.

         Processos inflamatórios necessitam ser avaliados, pois podem comprometer a fertilidade masculina. Estes incluem prostatites, epididimites e algumas doenças sexualmente transmissíveis. O envolvimento bilateral dos testículos após a parotidite viral, conhecida como caxumba, pode comprometer o desenvolvimento destes órgãos.

         O uso de medicações, fatores ocupacionais (relacionados a atividade de trabalho) e doenças crônicas também estão envolvidos na infertilidade masculina.


         EXAME FÍSICO

         Neste aspecto, existem duas partes do exame. Aquela que avalia a genitália e aquela que avalia o restante.

         Na avaliação da genitália devemos fazer um exame minucioso. Nesta fase do exame vamos avaliar o escroto em busca alterações no cordão espermático (varicocele, presença de ductos deferentes, etc.), o pênis, os epidídimos e os testículos. Nos últimos temos que avaliar o volume e a consistência, além de nódulos e alterações anatômicas.

         Na avaliação que se faz fora da região da genitália estamos atentos aos caracteres sexuais secundários (distribuição dos pêlos, mamas, gordura corporal, etc.) e sinais de outras doenças que possam alterar de maneira indireta a fertilidade masculina.


         EXAMES COMPLEMENTARES

         O exame inicial é o espermograma. Este exame permite que possamos avaliar as características físico-químicas do esperma, bem como a avaliação funcional do mesmo. Dentre os aspectos estudados no espermograma, constam o volume, o pH, a cor, a viscosidade, a presença de leucócitos e os parâmetros dos espermatozoides como concentração, motilidade, vitalidade e forma.

         Caso o homem tenha um espermograma normal, não há necessidade de fazer dosagens hormonais, mas sim exames que avaliem o comportamento do esperma no ambiente feminino.

         Caso existam alterações no espermograma, seguimos para uma investigação complementar que pode incluir dosagens hormonais, exames de imagem e, até mesmo, biópsia de testículo.


Dr. Carlos Teodósio Da Ros.

CREMERS 16962