CENTRO DE ANDROLOGIA E UROLOGIA

Incontinência urinária em homens, mulheres.

             Incontinência urinária é a perda acidental de urina.  Pode ser parcial ou completa  e acomete milhões de pessoas em todo o mundo.

            A incontinência urinária não é uma doença, mas sim uma manifestação de várias doenças que podem afetar o aparelho urinário. Varia significativamente dependendo do sexo, idade e condição mental. É mais freqüente nas mulheres, especialmente nas mais idosas, ocorrendo em 30% a 40% daquelas  com mais de 60 anos. Nessa mesma idade,  acomete somente 15% dos homens. Mulheres mais jovens, sem filhos, podem apresentar perdas de urina, especialmente durante o exercício físico.    Nas crianças, alguns problemas  que levam à incontinência urinária somente são percebidos  após os 3 a 5 anos de idade, pois é somente aí que constuma ocorrer o controle da micção. Após essa idade, a incontinência urinária noturna é conhecida como enurese e geralmente não está associado a problemas mais graves.

            O rim produz urina continuamente sendo conduzida até a bexiga através dos ureteres. A bexiga coleta e armazena a urina até ser  eliminada através da uretra. Os esfíncteres circundam  a uretra comprimindo-a, durante a fase de armazenamento da urina.  A micção  vai ocorrer somente  em situação, tempo e local adequados.

 Esse controle é essencial para a sobrevivência e bem estar do indivíduo. Depende de um funcionamento adequado do sistema nervoso, bexiga, uretra,

esfincteres e a musculatura pélvica.

            Muitos indivíduos  não procuram auxílio médico por várias razões:  as perdas de urina  são pouco significativas; sentem vergonha; pensam que não existe tratamento ou acham que faz parte do processo natural de envelhecimento.

            Problemas mais severos freqüentemente determinam mudanças na vida do indivíduo.

           

Diagnóstico.

            A avaliação médica é extremamente importante para a indicação do tratamento correto.

            Pode ser feita através de uma simples entrevista e exame físico,  porém, muitas vezes, há necessidade de outros exames. Os exames de urina,sangue, avaliação urodinâmica, raio x e  exames endoscópicos para a visualização da uretra e  bexiga são alguns dos exames mais utilizados.

            A incontinência urinária aguda.

            A incontinência urinária pode ter um início recente, relativamente rápido e  nessa situação, geralmente, está associada a uma nova doença ou ao uso de medicamentos. As doenças inflamatórias da bexiga (cistites), uretra (uretrites), próstata (prostatites) e vagina (vaginites) são algumas das causas mais comuns.

            1.Pessoas acamadas, com movimentação  restrita, podem apresentar retenção urinária e perdas involuntárias de urina por transbordamento da bexiga.

            2. A incontinência aguda pode ser devida ao mau funcionamento intestinal levando ao acúmulo de fezes que bloqueiam ou irritam a bexiga.

            O uso de medicações,  como diuréticos, anti-hipertensivos, descongestionantes nasais, sedativos e antidepressivos, são outras causas de incontinência urinária aguda.


A incontinência urinária permanente.

             As diferenças anatômicas entre homens e mulheres são responsáveis por algumas diferenças entre as várias causas de incontinência urinária.


A incontinência urinária no homem.

             As doenças da próstata e alguns de seus tratamentos representam as causas mais freqüentes de incontinência urinária no homem.

             Perdas urinárias significativas  ocorrem em cerca de 3% dos indivíduos tratados cirurgicamente para o câncer de próstata, mas é muito menos  freqüente naqueles submetidos à cirurgia por doença benigna. Após uma cirurgia curativa para o tratamento do câncer de próstata, muitos homens apresentam uma incontinência temporária que geralmente melhora dentro de  alguns meses ou em até 1 ano.


Tratamento:

            Inicialmente, a incontinência é tratada com medidas simples. Existem absorventes, coletores de urina e dispositivos que comprimem a uretra  que podem ser usados enquanto o indivíduo inicia  um programa de exercíicios para fortalecer a musculatura. Esses exercícios são geralmente orientados por fisioterapeutas especializados e têm resultados variáveis.

            Alguns homens se beneficiam com medicamentos que diminuem a atividade da bexiga.

            Quando a incontinência persiste após o primeiro ano, torna-se necessária uma avaliação médica precisa sobre as causas do problema  e várias formas de tratamento cirúrgico podem ser consideradas.


A incontinência urinária na mulher.

            A incontinência na mulher pode se manifestar através de várias formas. As  mais freqüentes são:

            1-Incontinência urinária de esforço. A musculatura que suporta a bexiga e a uretra freqüentemente se torna mais fraca em conseqüência da gravidez, parto, cirurgias e o envelhecimento. A bexiga caída é uma das conseqüências desse enfraquecimento e muitas vezes está associada à perdas involuntárias de urina.

            A incontinência de esforço costuma se manifestar durante a tosse, espirro, levantamento de peso, caminhadas, corridas, relação sexual e outras formas de atividade física.

            2-A urgência.

            As pessoas com urge-incontinência urinária apresentam um súbito e incontrolável desejo de urinar e, muitas vezes, não conseguem chegar ao banheiro. Essa sensação é muito conhecida por algumas mulheres que já apresentaram cistites.

            Pode acompanhar a incontinência de esforço e uma série de outras doenças que causam hiper-atividade da bexiga.

            3-A incontinência mista.

            É uma combinação da incontinência de esforço com a urgência. Muitas vezes o tratamento cirúrgico para a incontinência de esforço pode resolver os problemas de urgência. Freqüentemente, porém, é uma manifestação de outra doença associada, necessitando outras formas de tratamento.

            Algumas mulheres podem apresentar perdas contínuas, sendo incapazes de reter qualquer quantidade de urina, até mesmo  por breves instantes. Pode ser causada por uma grave lesão do esfíncter ou por transbordamento de uma bexiga fraca, incapaz de se esvaziar durante a micção.


Tratamento:

Alguns tipos de incontinência podem ser tratados inicialmente através de exercícios para o fortalecimento da musculatura. A reeducação da bexiga e  esfíncteres é outra forma de tratamento inicial com resultados variáveis.

Medicações também estão disponíveis para algumas formas de incontinência e devem ser utilizadas somente com recomendação médica. Mulheres com deficiência hormonal podem se beneficiar com a reposição hormonal.

A incontinência de esforço freqüentemente é tratada através de cirurgias. Existem várias técnicas cirúrgicas que podem ser empregadas com vantagens e riscos.


A bexiga hiperativa.

            A bexiga hiperativa é uma manifestação de várias doenças.                               

            Caracteriza-se por urgência urinária com ou sem incontinência, freqüência urinária aumentada (mais de 8 vezes, durante o dia e mais de 2 vezes, à  noite).

             Nem sempre é possível identificar as causas dessa manifestação extremamente freqüente.

Tratamento:

             Há várias medicações que relaxam a bexiga, aumentando o intervalo entre as micções e diminuindo os episódios de incontinência urinária. Infelizmente, muitas delas tem efeitos colaterais como: boca seca, visão borrada, constipação; fraqueza, confusão mental, retenção urinária e efeitos sobre os batimentos cardíacos. Os medicamentos jamais devem ser usados sem orientação médica e necessitam de controle periódico.

             Deficiências hormonais, após a menopausa,  podem levar ao enfraquecimento da vagina e uretra, tornando-ás mais frágeis e irritáveis. Nessa situação, a reposição hormonal pode trazer alguns benefícios.

            Os pacientes que sofrem de bexiga hiperativa devem ser educados sobre o controle da bexiga. É importante evitar cafeína e alimentos ácidos que podem piorar  os sintomas, e controlar a ingestão de líquidos, principalmente antes de dormir.

A diminuição da ingesta de líquidos pode provocar constipação e piora dos sintomas. O problema deve ser contornado com suplementação alimentar adequada, supositórios e lavagens intestinais.


O sistema nervoso e as doenças neurológicas.

             Uma complexa rede de nervos comanda a bexiga, a uretra, a musculatura pélvica e os esfíncteres. Essa rede nervosa condúz impulsos a partir dessas estruturas através de nervos que chegam à medula espinhal e depois ao cérebro. A partir das estruturas cerebrais, partem impulsos que chegam a esses mesmo orgãos.

             Qualquer doença que comprometa o sistema nervoso, em qualquer nível, pode levar à incontinência urinária.

             As mais comuns são os acidentes vasculares cerebrais( isquemias, derrames), a demência, Parkinson, esclerose múltipla, tumores, traumatismos da medula, diabete, lesões nervosas, durante cirurgias para tratamento de tumores de útero e intestino.


Outras causas de incontinência urinária.

            Alguns indivíduos apresentam vazamento de urina através de comunicações anormais entre a bexiga e outras estruturas como a vagina, o intestino e até mesmo a pele. Essas alterações são conhecidas como fístulas e em geralmente são tratadas cirurgicamente.

            Algumas doenças ou tratamentos podem provocar uma redução acentuada do tamanho da bexiga diminuindo sua capacidade para o armazenamento de urina. Muitas vezes há necessidade de ampliar a bexiga através de cirurgias.

            Quando o tratamento é ineficiente para promover o esvaziamento da bexiga, há necessidade de evacuar a urina através de sondagens.  As sondagens intermitentes (3 a 4 vezes ao dia causam menos problemas que as sondas permanentes. As pessoas  que necessitam esse tipo de tratamento devem ser estimuladas a aprender as técnicas de auto-sondagem.

            Infelizmente, alguns indivíduos apresentam problemas extremamente complexos, necessitando de dispositivos oclusivos para a uretra, coletores de urina ou absorventes.


Dr Márcio Averbeck

CREMERS 28361