CENTRO DE ANDROLOGIA E UROLOGIA

Ejaculação precoce.

    Ejaculação precoce (EP) é a dificuldade de percepção das sensações que antecedem o orgasmo, e que ocorre após uma rápida estimulação sexual. A ejaculação precede o momento desejado, de forma recorrente, acontecendo antes ou imediatamente após a penetração, causando descontentamento ao casal. Acomete uma fatia da população masculina que varia de 5 até 42%, sendo mais freqüente na faixa dos vinte aos trinta anos. Esta situação leva a um importante impacto negativo sobre a qualidade de vida do casal, repercutindo inclusive no seu cotidiano.

    A EP pode ser classificada como um distúrbio primário (toda a história sexual é marcada por ejaculações rápidas) ou secundário/situacional, isto é, adquirido após um período de função normal e, muitas vezes, relacionado a alguma outra disfunção sexual.

    A etiologia tem sido, mais recentemente, relacionada a problemas de neurotransmissão (teoria neurobiológica). As causas, de origem emocional ou psicológica, mais comuns são: baixa freqüência sexual, insegurança e ansiedade de desempenho, desconhecimento da sexualidade, relacionamento ruim com a parceira e comportamento condicionado à masturbação e coitos rápidos. Dentre as causas orgânicas sugeridas, encontram-se: lesão do sistema nervoso autônomo simpático devido a cirurgias retroperitoniais, fraturas pélvicas, prostatite, hipertireoidismo, diabete mellitus, polineurite, esclerose múltipla, lesões raquimedulares ou acidentes vasculares cerebrais.

    A EP pode levar à depressão, desordens de personalidade, baixa auto-estima, prejuízo ao relacionamento conjugal e/ou interpessoal, diminuição da libido e, até, aversão ao sexo.


Tratamento

    O aconselhamento psicológico e a terapia comportamental devem preceder o uso de medicamentos no manejo da EP. É necessário um profissional treinado em sexualidade para fazer esta orientação, bem como a presença e colaboração da parceria. As técnicas comportamentais trazem um importante benefício inicial e dependem da motivação do paciente/casal, porém, o índice de abandono é alto. No início do tratamento, o índice de sucesso atinge 60%, mas a longo prazo diminui para aproximadamente 25%. As técnicas mais comumente empregadas são Stop-Start e Squeeze. Mas é a associação da psicoterapia com a terapia medicamentosa que parece ser a alternativa ideaL.

    O emprego dos inibidores específicos da recaptação da serotonina (IERS) (fluoxetina, sertralina, paroxetina e citalopran) é baseado no retardo ejaculatório como efeito colateral ao seu uso para depressão. Baseado no efeito destas drogas pode-se afirmar que é necessária a presença contínua do medicamento na corrente circulatória, para obtenção do máximo efeito. As drogas parecem agir sobre a ejaculação também quando são utilizadas sob demanda (somente na atividade sexual), mas a taxa de sucesso é menor. Os principais efeitos colaterais do IERS são: náusea, sensação de boca seca, tontura, cefaléia, fadiga, insônia e diminuição de libido. E são estes efeitos que levam à busca de uma alternativa terapêutica para uso sob demanda, com o intuito de reduzir os efeitos colaterais do uso diário destas drogas. Um novo inibidor do transporte da serotonina, ainda em estudo, chamado dapoxetina, tem rápida absorção e efeito e pode ser empregado 1 a 3h antes da atividade sexual.

    Clomipramina, que também é um antidepressivo (tricíclico), é utilizada para este fim. Também são conhecidos seus efeitos colaterais e os mais comuns são: boca seca, constipação, fadiga, sedação e zumbidos.

    Os tratamentos medicamentosos parecem ser eficientes enquanto o paciente utiliza as drogas, mas é importante a psicoterapia conjunta. Esta associação então, de terapia comportamental com a medicamentosa, é a forma de tratamento mais eficaz para o manejo da EP. E é a terapia comportamental que oferece resolução do problema.

    As cirurgias propostas para ejaculação rápida devem ser encaradas como procedimentos experimentais, indicadas para pacientes selecionados e realizadas em locais de pesquisa credenciados, baseados nas normas de pesquisa que envolve seres humanos da resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e da resolução 1478/97 do Conselho Federal de Medicina. Estes procedimentos ainda não têm comprovação científica da sua eficácia.



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Dr.Carlos Teodósio Da Ros

CREMERS 16962